Tribuna

Alianças para o desenvolvimento sustentável: quais são os desafios que devemos superar

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 17 enfatiza em que as metas da Agenda 2030 só poderão ser alcançadas combinando os recursos, conhecimentos e experiências que aportem distintos atores dos setores público, privado e sociedade civil.

Muitas vezes se pensa que o valor acrescentado deste tipo de relações entre muitos atores amplia as possibilidades de que se produza uma mudança para transformar nosso mundo.

No entanto, trabalhar em alianças não é uma tarefa fácil. Além do enorme compromisso que representa para os sócios com relação a tempo e energia, é necessário contar com um amplo leque de habilidades, que obrigam a prestar atenção a uma série de aspectos de procedimento.

Isto implica que se o ODS 17 serve para promover uma mudança significativa e perdurável no tempo, teremos que melhorar nossa forma de abordar os desafios que se apresentarem.

O desafio mais importante na criação de uma aliança é acordar seu enfoque e garantir que suas atividades sejam dirigidas a este objetivo, posto que as metas e interesses de seus distintos atores variam segundo o contexto.

É habitual que as alianças se vejam limitadas por sua incapacidade para superar ideias preconcebidas, o costume de trabalhar de forma isolada e um excesso de precipitação durante sua criação.

Amiúde são produzidas duplicidades por não analisar experiências prévias de colaboração, que teriam servido para aproveitar alianças existentes em vez de criar novas iniciativas.

É imprescindível que os sócios mantenham um diálogo constante, no qual prevaleça um debate honesto e aberto sobre os desafios e as dificuldades”

Riscos mais comuns

Para garantir a sincronização entre os distintos atores, é fundamental realizar um intenso trabalho preliminar e identificar suas sinergias, o que acarreta compreender suas motivações para trabalhar na aliança.

Também implica aceitar que, trabalhando assim, os sócios têm a possibilidade de alcançar não só os objetivos comuns, senão também os de suas próprias organizações.

O desenvolvimento de uma aliança pode se ver limitado por uma série de obstáculos de diversa índole. A nível individual, por exemplo, resulta difícil encontrar o tempo necessário para dedicar à aliança; a nível de organização, pode ser que o trabalho em aliança não tenha sido aceito internamente.

Também pode suceder que entre organizações surjam mal-entendidos entre os sócios em torno de como deve funcionar a aliança e, em um contexto mais amplo, há vezes em que sua estrutura política e normativa limita a colaboração.

Dado o dinamismo das alianças e dos contextos onde operam, é provável também que as caraterísticas de tais obstáculos variem com o tempo, pelo que sempre é útil que os membros da aliança identifiquem os obstáculos em cada um dos níveis mencionados anteriormente e avaliem periodicamente se é possível intervir nos mesmos, evitá-los ou reorientá-los.

Uma das razões mais importantes para trabalhar em aliança é poder unir os recursos de seus distintos membros. No entanto, com frequência isto se faz sem analisar previamente se são os mais idôneos para o objetivo escolhido e sem saber como complementá-los com os demais aportes.

A efetividade de uma aliança pode se ver limitada também se as funções e responsabilidades de cada membro não ficaram claramente definidas, ou se não há suficiente transparência nos procedimentos de toma de decisões, em geral, complicados de elaborar e manter.

Costuma-se passar despercebido que, para que a governança de uma união deste tipo seja equitativa, há de se investir recursos em fomentar a capacidade daqueles atores aos que lhes resulta mais difícil participar por questões de tempo, compromissos ou falta de confiança.

A efetividade das alianças

Se bem as alianças são um veículo para alcançar as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, devemos trabalhar muito mais em avaliar como o procedimento do trabalho em aliança contribui à sua efetividade e potencial de transformação.

A maioria das alianças estão centradas em avaliar resultados de curto prazo, derivados das atividades realizadas conjuntamente e não se presta atenção em como as relações de seus membros influem sobre os resultados.

Também não reflexionam sobre os benefícios de trabalhar em aliança em vez de trabalhar em projetos gerenciados por uma única organização ou através de relações contratuais tradicionais.

É necessário realizar um labor de divulgação adequado e aprender de experiências que possam nos orientar no desenvolvimento de estratégias competentes e formas de colaboração mais ambiciosas.

Finalmente, para que as alianças multiator possam desempenhar o papel que lhes corresponde na Agenda 2030, é imprescindível que os sócios mantenham um diálogo constante, no qual prevaleça um debate honesto e aberto sobre os desafios e as dificuldades encontrados.

A consolidação e institucionalização do trabalho em aliança assume que seus integrantes hão de ser capazes de estabelecer uma inter-relação continuada, na que se promova o respeito mútuo e a confiança.

Los argumentos expuestos en esta tribuna responden en exclusiva al punto de vista del autor, que es responsable de las opiniones manifestadas, y no reflejan en ningún caso la postura de la SEGIB

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