Os ODS não incumbem unicamente a governos e organizações. Para conseguir um a sociedade inclusiva, é necessário que todo mundo se sinta aludido e se envolva. A cidadania em seu conjunto deve dar conteúdo aos ODS. Só assim será possível consolidar sistemas autenticamente democráticos nos quais exista verdadeira transparência, participação e prestação de contas por parte dos governos, empresas e instituições.

O desafio está em gerar canais fiáveis para assegurar a participação cidadã real e reforçar o interesse por aportar de forma valiosa e continuada. Uma participação que, como sublinha a Agenda 2030, não pode deixar ninguém para trás por questões territoriais, origem social, idioma, sexo, etnia, religião ou excluir as pessoas com deficiência. Fica em mãos de cada sociedade pôr mais atenção a elementos identitários não tão sublinhados na Agenda, como a orientação sexual ou o status migratório. Dispor de foros inclusivos e independentes, alimentados por informação veraz, permitirá que a sociedade civil possa se expressar com todas as suas nuances.

Através de campanhas de sensibilização, os ODS estão começando a ser um conceito mais próximo. Em pesquisas recentes recolhidas pela SEGIB, a conquista de uma educação de qualidade (ODS 4), a redução das desigualdades (ODS 10), o fim da pobreza (ODS 1), a promoção do trabalho decente e o crescimento econômico (ODS 8), e a conquista da paz, justiça e instituições sólidas (ODS 16), aparecem como os cinco objetivos considerados mais relevantes para avançar. Fica refletida a valoração positiva dos Objetivos, mas um escasso conhecimento dos indicadores concretos.

Os ODS se baseiam em consensos sociais, acadêmicos e científicos que permitem estabelecer uma guia, mas especificar soluções ainda é tarefa pendente. Desde contribuir aos sistemas de recolhimento de dados para detetar os problemas a fortalecer a análise da informação, passando pela revisão dos processos para garantir sua efetividade e transparência, a sociedade em seu conjunto deve aportar à consecução do mundo que a Agenda 2030 propõe. Uma participação que tem de ir mais além das consultas e que tem de aproximar a cidadania ao plano no qual são tomadas as decisões.

Uma tarefa de todos:
comprometer a cidadania